«A informação é uma guerra, uma guerra entre modelos sociais. Entre os defensores de um mundo desigual, injusto, governado por depravados e autênticos terroristas que impõem a sangue e fogo um modelo económico que condena à morte milhares de pessoas em todo o mundo, e aqueles que decidem estar ao serviço dos grupos, movimentos, intelectuais e outros lutadores, que todos os dias arriscam a vida a defender outro modelo de mundo possível.»
Pascual Serrano - José Daniel Fierro

REFORMAS E BAIXAS MÉDICAS EM PORTUGAL - escândalos!

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COMER E CALAR! - até quando?


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terça-feira, fevereiro 21, 2006

onde é que estavas no 25 de abril?

"Monólogos secretos"*

BATISTA BASTOS: Estava eu um dia na Brasileira do Chiado e entäo o saudoso Castro Castanheira, que foi quanto a mim, e há que dizer isto com frontalidade, o maior lenhador da língua portuguesa; lá vinha ele, com o seu castor debaixo do braço, o Castanheira naquela sua maneira de ser, marialva a fazer lembrar... o Geraldo Nunes, mais velho mas meu amigo, bom e quanto a isso, há que dizer com frontalidade, um dos símbolos emblemáticos de Lisboa, e um dos seus fundadores, e retorquiu assim: "O retarquismo sublima o Homem e fá-lo atingir o auge na sua proporçäo". Serve isto, para apresentar o meu convidado de hoje, que fez tudo na vida e ao mesmo tempo, näo fez nada. Já perceberam que vou conversar com Orlando Barata. Ó Orlando, tu foste um grande combatente anti-fascista, e isso é ponto assente, mas foste também um bocado fascista, ou näo?

ORLANDO BARATA: Bem eu de facto... o que se passou é que...

BATISTA BASTOS: Desculpa lá, antes de me responderes, eu gostava de te contar aqui uma história curiosa que se passou na redacçäo do Piolho, esse pasquim anti-fascista, de onde saíram grandes jornalistas como o Sousa da Mota Lara, grande amigo meu, o Romäo Branco, mais velho, bom e o genial César Serafim, era genial, há que dizer isto com frontalidade. Certo dia, entrou o Castro Castanheira com o seu castor debaixo do braço e dá de caras com um estagiário que lhe atira: "Estás bom ó Castro?". Eu achei que era importante contar isto. Mas, Orlando, estamos aqui para falar de ti, olha diz-me uma coisa, onde é que estavas no 25 de Abril?

ORLANDO BARATA: Por acaso é curioso referires isso...

BATISTA BASTOS: Tu és um homem de esquerda… és um homem de esquerda, e há que dizer isto com frontalidade, apesar se seres também um pouco fascista; estavas ligado à direita, namoravas Salazar e eras o que a gente chamava na altura um pulha pidesco... Tu foste da PIDE ou näo?

ORLANDO BARATA: Näo, eu...

BATISTA BASTOS: Onde é que estavas no 11 de Março?

ORLANDO BARATA: Bom, no 11 de Março, tem graça, eu...

BATISTA BASTOS: Nessa altura já eras bissexual?

ORLANDO BARATA: Perdäo ó Bastista Bastos...

BATISTA BASTOS: Digo bissexual na medida em que estavas envolvido com a direita e com a esquerda. Eras o que a gente chama uma prostituta política. Eras, de resto, conhecido como a maior puta da política nacional, há que dizer isto com frontalidade, não é?

ORLANDO BARATA: Desculpa lá ó Bastos, mas eu näo estou a gostar, enfim...

BATISTA BASTOS: Olha lá, ó minha porca... onde é que estavas no dia 36 de Setembro, da parte da manhä?

ORLANDO BARATA: Bom, no dia 36 de Setembro, da parte da manhä...ó minha porca?!

BATISTA BASTOS: Porca no sentido de porca fascista, do capital, da ausência de valores. Tu sempre te apresentaste nesse sentido, aliás tu como homem de esquerda assumes essa tua faceta de molúsculo paneleiróide, salazarista pestilento, que ao fim ao cabo eu acho que és uma besta, não é? Há que dizer isto com frontalidade, és uma besta e digo-te isto com o respeito que me mereces.

ORLANDO BARATA: Desculpa lá ó Bastos, mas eu näo posso permitir que tu continues a aviltar a minha pessoa dessa maneira, olha que caralho! Mas enfim... eu vou-me mas é embora, porque isto é sempre a mesma coisa contigo, chiça!... foda-se!... caralho!... Para que é que me convidaste para aqui?!

BATISTA BASTOS: Ó Orlando, vai-te foder, pá!... vai levar dentro da peida!... vai fazer broches a cavalos, cabräo!... Bom, estavamos aqui a noite toda na conversa, há que dizer isto com frontalidade, mas temos que terminar. P'rá semana, aqui estarei para mais um Monólogos Secretos. Bom, mas antes, queria contar-vos uma história que se passou comigo em Paris, em 71, estava eu com o Salgado Matias, outro grande paneleiro, chefe da redacçäo do Furúnculo e mais tarde director da Galocha. Esse anti-fascista, às tantas, entra o Castro Castanheira com o castor debaixo do braço...hum?!... ah! já näo tenho tempo para contar... bem mas esta história de näo ter tempo faz-me lembrar outra história que é a história... hä?!... olha, isto de vocês me estarem a levar faz-me lembrar ainda outra história, que era que eu estava justamente em Peniche...

1 Comments:

At quinta-feira, março 09, 2006 12:23:00 da manhã, Blogger Papa Ratzi said...

Não sei nde estava no 25 de Abril, mas lembro-me onde estava no 24! Tinha dois anos na altura.

 

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