«A informação é uma guerra, uma guerra entre modelos sociais. Entre os defensores de um mundo desigual, injusto, governado por depravados e autênticos terroristas que impõem a sangue e fogo um modelo económico que condena à morte milhares de pessoas em todo o mundo, e aqueles que decidem estar ao serviço dos grupos, movimentos, intelectuais e outros lutadores, que todos os dias arriscam a vida a defender outro modelo de mundo possível.»
Pascual Serrano - José Daniel Fierro

REFORMAS E BAIXAS MÉDICAS EM PORTUGAL - escândalos!

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COMER E CALAR! - até quando?


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quarta-feira, abril 12, 2006

RETALHOS DA VIDA DUM PATIFE (continuação)


(...)
Foi, a partir daqui, que meus verdadeiros instintos de malvadez começaram a despertar.

Passo a explicar: No andar de cima do estabelecimento residia um engenheiro bem sucedido na vida e sua esposa.

Nunca soubemos se eram boas ou más pessoas, porque nunca nos cumprimentaram.

Só sabíamos, através da mercearia onde se mandavam aviar que, aos sábados, tinham por hábito ir ao casino jogar na roleta.

Ora, como eles sempre me acordavam ao regressarem a casa, lá para as quatro da manhã desses sábados, resolvi, a partir de um deles, experimentar o meu plano, tentando "com um tiro matar dois coelhos":
Como as escadas debaixo das quais eu dormia eram de madeira, com a extremidade de uma vassoura, comecei a acompanhar, a descompasso, os passos que o casal dava no subir das escadas.

Eles paravam, e eu parava. Eles reiniciavam, e eu reiniciava, sempre com "souplesse".

Um belo dia, ao ir brincar para a mercearia dos pais do meu amigo César, filho único como eu, escutei a conversa, em surdina, que a "criada" do senhor engenheiro travava com a mãe do meu amigo.

"Os meus patrões vão sair daqui. Parece que hà qualquer coisa estranha na casa. Perguntaram-me se eu também ouvia barulhos estranhos na casa durante a noite. Eu nunca dei conta, disse-lhes eu!"

Mais assustado que contente, por não ter antes realizado as verdadeiras consequências da malvadez que cometera, esgueirei-me para casa, sem me despedir do meu amigo.

Um mês depois, passámos a viver naquele cobiçado primeiro andar.

Os meus velhotes ficaram radiantes, já se vê!
E, talvez por isso, nunca lhes contei toda a verdade.
Nunca souberam que o filho, afinal, ao contrário do que pensavam, não era flor que se cheirasse.

Agora, em homenagem ao meu esforço para me tornar melhor pessoa, peço aqui desculpa, publicamente, ao sr engenheiro e esposa, meus ex-vizinhos... pelo sim, pelo não... uma vez que já "partiram".

Fim

Zé Ameixa
(arrumador de automóveis)




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