«A informação é uma guerra, uma guerra entre modelos sociais. Entre os defensores de um mundo desigual, injusto, governado por depravados e autênticos terroristas que impõem a sangue e fogo um modelo económico que condena à morte milhares de pessoas em todo o mundo, e aqueles que decidem estar ao serviço dos grupos, movimentos, intelectuais e outros lutadores, que todos os dias arriscam a vida a defender outro modelo de mundo possível.»
Pascual Serrano - José Daniel Fierro

REFORMAS E BAIXAS MÉDICAS EM PORTUGAL - escândalos!

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COMER E CALAR! - até quando?


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sexta-feira, março 17, 2006

PROFESSORAS DE PÊLO NA VENTA



Há muitíssimas crianças em Portugal que vivem em condições de verdadeira miséria.

As "casas" dos seus pais - sobretudo aquelas "construídas" nos subúrbios das cidades - não têm condições mínimas de salubridade (cerca de seis milhões de portugueses vivem sem saneamento básico).

E não há também as mínimas condições, dentro ou fora delas, para as crianças serem receptoras atentas dos mais elementares princípios de educação, por razões que os próprios pais desconhecem. Miséria gera miséria... .

Quase todos sabemos as razões disso, mas a maioria de nós prefere assobiar para o lado.

Sacrificamos os ideais capazes de nos conduzirem a uma sociedade diferente e nova, sem extravagâncias egocêntricas, em homenagem às utopias que nos impingem, a nós, que fazemos parte dos noventa por cento dos menos favorecidos economicamente.

E por isso, passivamente, muitíssima gente continua a esperar (em frente ao televisor) por uma qualquer nevoenta noite de sexta-feira onde, improvavelmente, lhe anunciarão a sua ascensão ao topo da pirâmide.

Até nós - que não estamos muito longe do vértice dessa pirâmide - esperamos, inconscientemente, por outra Sexta-Feira de nevoeiro enquanto reivindicamos, ao som de um baile mandado, o que sobrou do banquete de salão farto que nos permite ter vivenda, casa de praia e carros, mas poucas vezes a felicidade!

Mas volto às crianças (afinal diz o poeta, e bem, "que o melhor do mundo são as crianças") para dizer que, mesmo numa sociedade melhor que a que temos, não bastaria para todas elas terem uma casa bem construída e família atenta.

A casa e a família, mesmo com esses meios adequados, não serão, pois, só por si suficientes para compensar a falta de qualificação de um professor.

O que não será quando a casa não existe, as carências afectivas de um lar estão ausentes e o professor não tem qualidade!

E tudo isto, que precede, vem a propósito de notícia que hoje tive e me estragou o dia:

Uma criança é agredida recorrentemente por uma professora, com o conhecimento da directora da escola onde lecciona.

Nessa escola do Primeiro Ciclo da nossa cidade (Marinha Grande) parece existirem professoras que herdaram do salazarismo, as normas do ensino.

Castigos corporais às crianças ("reguadas"), eram permitidos sim, mas no tempo do fascismo; Na época em que o ensino era ditado para não pensarmos.

Se já nesse tempo era pedagogicamente desanconselhado bater-se numa criança, uma vez que fosse, o que dizer então de uma professora que nos dias de hoje, bate repetidamente a um pequeno ser?

Sobretudo a uma criança que, ao que parece, é vítima (revoltada) do abandono a que foi votada pelos próprios pais.

Ele é o exemplo do menino que nasceu sem amor e em ambiente hostil - como aquele que no começo apontei - e que só outro tipo de sociedade poderá irradicar.

Além de covarde, aquela senhora professora é também o espelho vivo da degradação a que terá chegado a arte de educar e instruir neste nosso Portugal triste e quase sem esperança.

Já no começo do século passado pedagogos alertavam para as sequelas psicológicas causadas pelos maus tratos dos professores aos alunos.

Essa professora(?) e a sua directora, podem até desconhecer Maria Montessori ou Célestin Freinet, mas tinham obrigação de saber que, no ser humano, violência gera traumas, gera de novo violência. É covardia a agressão a uma criança, já por natureza indefesa, mesmo quando ela se revela irrequieta e indisciplinada.

-S'tôras! Falem a esse menino, pedindo-lhe desculpa, olhos nos olhos... falem-lhe com afectividade, tenham alguma paciência... mesmo que seja contra a vossa natureza!

Porque se o fizerem, verão de novo honrados os vossos diplomas e profissão, que conseguiram com o vosso esforço, mas também com os impostos de todos os trabalhadores portugueses.


4 Comments:

At sábado, março 18, 2006 11:34:00 da manhã, Blogger a mulher do lado said...

afectividade... como disse é algo que nos faz falta a todos em todas as situações. Belo texto!

 
At sábado, março 18, 2006 7:20:00 da tarde, Blogger Zé Lérias said...

ainda bem que "a mulher do lado" está do meu lado!

bem-haja.

nesta selva que é a vida, precisamos TODOS, com urgência, de muita afectividade, e eu não sou excepção.

ao expormos pensamentos antigos que vão contra a corrente, nesta época de todos os mêdos, corremos sérios riscos de sermos marginalizados pela grossa maioria. Mas vale a pena arriscar...

 
At domingo, março 19, 2006 9:10:00 da manhã, Blogger Nuno Marques said...

Será que se lhe pode chamar "professora"?
Quando uma criança tem problemas, deveria ser acompanhada por quem gostas delas e lhes dedica uma vida... quando faltam os pais, nós (sociedade) o que fazemos? Agravamos o problema...
E a bola de neve cresce e depois ficamos muito espantados com as notícias sobre jovens delinquentes…

Hasta siempre Zé.

 
At segunda-feira, março 20, 2006 11:39:00 da manhã, Blogger a mulher do lado said...

creio que todos buscamos o mesmo, desde a mais tenra infancia: colo, carinho e proteção. É algo que goasto de receber e faço questão de dar!

 

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