«A informação é uma guerra, uma guerra entre modelos sociais. Entre os defensores de um mundo desigual, injusto, governado por depravados e autênticos terroristas que impõem a sangue e fogo um modelo económico que condena à morte milhares de pessoas em todo o mundo, e aqueles que decidem estar ao serviço dos grupos, movimentos, intelectuais e outros lutadores, que todos os dias arriscam a vida a defender outro modelo de mundo possível.»
Pascual Serrano - José Daniel Fierro

REFORMAS E BAIXAS MÉDICAS EM PORTUGAL - escândalos!

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COMER E CALAR! - até quando?


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quarta-feira, janeiro 09, 2008

Fernando Pessoa



Liberdade

(veja ao fundo um player)

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

(Crítica: ..."Afinal este poema é um ensaio de revolta contra o que o heterónimo Caeiro disse, contra os próprios projectos falhados de Pessoa. Ele que queria atingir a liberdade libertando-se de tudo, da civilização, dos deveres, dos livros, ser apenas criança... O titulo - Liberdade - é apenas uma ironia triste e amarga e um contra-senso propositado. Arde em Fernando Pessoa a derrota da sua aventura, perto que está da morte quando escreve este poema. Este poema é de certo modo o epitáfio intelectual de Caeiro - o Mestre, por parte de Fernando Pessoa - o Criador.")


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5 Comments:

At quinta-feira, janeiro 10, 2008 1:41:00 da tarde, Blogger Mocho-Real said...

Meu caríssimo Zé:

Não concordo por inteiro com esta visão do poema por parte do major reformado.
Não vejo aqui a derrota do poeta mas antes uma vitória da insubmissão, aceitando porém que nada conduz à liberdade do indivíduo (nem os livros, nem a poesia...) que não passe pelo seu próprio interior, ou seja, pelo reconhecimento de que só a aus~encia de dever pode conduzir à total libertação do Homem.

Não creio, pois, que o poema seja um epitáfio intelectual do poeta, outrossim um afirmar bem lúcido de que a racionalidade o não largou até ao fim.

Um abraço.

 
At quinta-feira, janeiro 10, 2008 4:08:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

..." Tímido, misantropo e misógino, critica tudo com acidez destrutiva, começando por si próprio e acabando na Igreja e no Estado, com opiniões que vão desde as de um adolescente revoltado às de um adulto mais maduro que o habitual." ...

António

 
At quinta-feira, janeiro 10, 2008 4:15:00 da tarde, OpenID soliletras said...

"Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade."
Um beijo

 
At quinta-feira, janeiro 10, 2008 7:52:00 da tarde, Blogger missixty said...

Houve um filosófo que disse algures " demora tempo a chegar ao simples". Nós só valorizamos as coisas simples da vida, depois de passarmos pelas mais complicadas!Com o correr dos anos a nossa sensiblidade apura-se e vemos as coisas de uma forma diferente. Se ele fosse um camponês, lamentaria sempre a sua existência medíocre, porque não sabia o bem que tinha. Trabalhar ao sol, sentir o vento e o cheiro da terra...esqueci-me dos calos das mãos....ehehe!
Todos os poetas sofrem crises existenciais e são pessoas conflituosas. Apesar de adorar Fernado Pessoa, acredito que ele ma-se mais as próprias palavras que alguém própriamente! Eles gostam de sofrer, porque é desse sofrimento que lhe vem a criação...sem esquecer o absinto!
cumprimentos susana

 
At sábado, janeiro 12, 2008 12:29:00 da manhã, Blogger SILÊNCIO CULPADO said...

Gosto dos insubmissos. Logo gosto do poema. Porém Alberto Caeiro e Álvaro Campos são, para mim, o melhor de Fernando Pessoa.
Um abraço

 

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